Como é a primeira sessão de terapia online (e o que esperar)

Terapia online

Como é a primeira sessão de terapia online (e o que esperar)

O nervosismo ou a insegurança antes do primeiro encontro é quase universal. Este texto descreve como funciona o atendimento, para que fique um pouco mais esclarecido o precesso em caso de dúvidas.

Por Yrini Constantinidou Mascarenhas CRP 06/214660

10 de agosto de 2026 6 min de leitura

Já aconteceu de pessoas chegarem à primeira sessão com alguma versão da mesma pergunta: "E se eu não souber o que falar?" ou "Não sei por onde começar".

Quero começar dizendo que não há nada que você precise preparar. A primeira sessão existe justamente para que essa conversa seja construida, para que você expresse o que tiver vontade, não para que ela já esteja pronta.

De qualquer forma, saber um pouco do que esperar de uma psicoterapia, reduz bastante a tensão. Então vamos ao que acontece antes da primeira sessão de fato.

Antes: o combinado

Antes do primeiro encontro, algumas coisas já devem estar definidas: o horário, o valor da sessão, a forma de pagamento e a política de remarcação.

Você recebe o link da videochamada com antecedência. Não é preciso instalar programas complicados nem criar contas.

O que preparar do seu lado

  • Um lugar reservado. É o item mais importante da lista. Um cômodo onde você possa falar em voz alta sem ser ouvido ou interrompido.

  • Fone de ouvido. Ajuda na privacidade e melhora muito a qualidade da conversa.

  • Aparelho apoiado. Celular, tablet ou computador, qualquer um serve.

  • Uma folga antes e depois, se for possível. Emendar a sessão entre duas reuniões ou compromissos, pode reduzir um pouco do aproveitamento. Então, se for possível ter alguns minutinhos antes para se preparar, respirar e se conectar; ter também alguns minutos depois dos 50 minutos é bom para que você não tenha que correr para o próximo compromisso.

Durante: como a conversa começa

Não há formulário a preencher em voz alta nem questionário a responder. A sessão costuma começar com uma pergunta aberta: "o que te trouxe até aqui?" ou pode acontecer de eu esperar para escutar o que você tiver para dizer.

A partir daí, você fala o que conseguir falar. Pode ser uma história organizada ou pode ser um emaranhado sem ordem nenhuma. Pode ser um motivo claro ou aquela sensação vaga de que algo não vai bem. Chegar sem palavras para o que se sente é comum, e encontrar essas palavras costuma ser parte do trabalho, não um pré-requisito para começar.

Ao longo do encontro, eu também farei perguntas sobre o seu contexto de vida: rotina, família, relações, histórico de atendimento anterior, uso de medicação se houver, entre outros. Importante frizar que nada será "avaliado", o intuito é compreender um pouco do seu contexto de vida.

Não é preciso chegar organizado. É preciso apenas chegar.

E se eu chorar?

Acontece com frequência, e está tudo bem! Também acontece de a pessoa não sentir nada de especial e sair achando que "não rendeu". As duas coisas são normais e nenhuma delas indica se o processo vai funcionar.

E se der silêncio?

O Silêncio é sempre bem vindo nesse espaço. Ele pode parecer constrangedor no começo, mas ele não só faz parte, como é importante em vários momentos do processo terapêutico. Você não precisa preencher todo o tempo com fala.

No fim: o combinado sobre continuar

A primeira sessão é um encontro de reconhecimento, nos dois sentidos. Você sente como é falar comigo, se faz sentido para você continuar ou não, e eu também ponderarei o caso, se há limites para a minha atuação naquele momento por exemplo.

Se por algum motivo o seu caso pedir outro tipo de acompanhamento, psiquiatria, avaliação específica, outra especialidade, isso será dito com acolhimento, franqueza e orientação de encaminhamento.

E se fizer sentido seguir, combinamos a frequência. Em geral semanal, sempre no mesmo dia e horário, porque a regularidade é o que sustenta um processo terapêutico.

Você não está assinando contrato vitalício

Talvez o ponto mais importante deste texto: marcar a primeira sessão não compromete você com nada. Se não fluir, você pode procurar outro profissional sem constrangimento nenhum. Isso é legítimo e acontece.

A qualidade do vínculo entre paciente e terapeuta é um dos fatores mais associados a bons resultados em psicoterapia. Então buscar alguém com quem você consiga falar de verdade não é frescura, é parte do processo (e uma parte importante diga-se de passagem).

Se você quiser entender melhor como o atendimento por videochamada funciona na prática, reuni os detalhes em como funciona o atendimento online. E se a curiosidade for sobre a abordagem em si, vale ler sobre a Gestalt-terapia.

Próximo passo

Pronto para a primeira conversa?

Você não precisa saber explicar o que sente. Basta dizer que quer conversar, e a gente organiza o resto junto.